30.10.10

18.10.10
V Semana do Piano 2010
26.7.06
Desejo reprimido
Nas raras vezes que o circo Le Soleil esteve em Porto Alegre, invariavelmente havia algo que me atrapalhava para assistí-lo. Já o tinha visto na televisão, em pequenos clips, e foi o suficiente para que me encantasse por ele. Além de haverem inovado o circo tadicional, ele me envolvia com um certo mistério. O brilho dos saltimbancos, o olhar dos acrobatas e a expressão corporal do conjunto, ocultava um enigma que me conduzia muito além da simples imaginação. Afora os malabarismos perfeitos, o grupo se preocupava em apresentar roupas coloridas agradáveis aos olhos, um alegre e espontâneo sorriso atravéz de uma exuberante maquilagem. Causava um fascínio, como se no meio deles eu estivesse. Às vezes que os conseguia ver, ficava hipnotizado para deleite dos meus olhos. Enfim, os atores conseguiram criar o famoso vínculo que une o artista ao seu público. De repente! Não mais que de repente no horário nobre da TV, reaparece como a luz de um flash, o "meu" circo novamente. Posicionei melhor o sofá, e deixei os olhos se extasiarem com este sonho de consumo. Lindo! Fantástico! Só que, ao término do espetáculo, como num conto de bruxas, sutilmente vai surgindo num efeito Hi-tech, o logotipo de um Banco. "O circo? Somos iguais a ele. Somos tão bons, senão melhor que ele!" - induzia a propaganda. Para meu espanto, o banco fez uma oferta ao circo e comprou sua produção. Seduziu com seu poder econômico. Acabou estuprando o objeto do meu desejo. Para mim, Le Soleil não é o mesmo, nem mais meu, nem mais nosso. Ele agora é do vilão, que nem ao menos o trata com afeto, como nós nos dedicamos. Ele transformou o circo, numa armadilha para captar clientes. Agora, só pensa no lucro que o circo irá lhe trazer. Banalizaram o circo. Não irei mais vê-lo, meu desencanto foi total. Nem sei mais se os sorrisos dos atores serão os mesmo. Serão por certo, falsos sorrisos para a satisfação ao banco, que espertamente, o surrupiou de todos nós.
30.5.06
Tempos de acolher
Nuvens escuras cobrem o céu de outono e pingos grossos encharcam o chão. Assim fica se parecendo esse dia úmido e frio no Porto, por vezes nem tão Alegre assim. Voltei a pensar no que levou Schubert a escrever aqueles lieder, onde o Winterreise é o que mais me emociona. É de uma poesia profunda, dramática, quase down, mas com uma beleza imensa. Depois de ouvi-lo, sou tomado de uma generosidade, querendo envolver sob meu casaco quem necessita se abrigar.28.5.06
Conceituando meu blog
Há tempos que procuro saber qual é o sentido deste blog no qual eu escrevo. Seria um diário? Seria uma caderneta de anotações? Bem... não sei por que, logo hoje me deu um estalo. Pulei até a estante de livros para consultar o Houaiss e finalmente o identifiquei como sendo um ALMANAQUE: "folhetim ou livro que, além marcar datas do ano, traz diversas indicações úteis, poesias, trechos literários, anedotas, curiosidades etc". Nunca fui de contar anedotas, mas de resto, isso aqui parece estar de acordo com minhas divagações. Talvez seja, o lugar onde me ajoelho e converso com leitores reais ou imaginários, com as estrelas, com a via láctea, enfim, comigo mesmo.
5.6.04
E-Mail: "Meu trabalho"
Carmen: Caro Beau. Estou lhe enviando foto do meu primeiro trabalho, gostaria que comentasse sobre ele.Beau: Para este trabalho damos o nome de brochura. Compões-se de folhas soltas, tipo papel A4, agrupadas em maços de 100 a 200 unidades, distribuídas aos estudantes durante o curso. Devem ser selecionadas por assuntos passados em aulas e depois encadernadas. Pela foto, posso deduzir que você possui habilidades manuais o suficiente para dar um passo adiante. Logo conseguirá fazer agendas, cadernetas de endereços, álbuns fotográficos, tudo personalizado.

